Dois ministros do Supremo Tribunal Federal – Alexandre de Moraes e André Mendonça surgem envolvidos em transações obscuras
Dois ministros do Supremo Tribunal Federal – Alexandre de Moraes e André Mendonça surgem envolvidos em transações obscuras com Daniel Vorcaro, o controlador do polêmico Banco Master e colocam a instituição judiciária no centro da pior crise de sua história desde sua criação.
O clima, nos corredores do poder em Brasília, é de apreensão com os desdobramentos, com o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sendo aconselhado a se blindar no caso, como estratégia para não comprometer seu projeto de reeleição.
Flagrado no contrapé, com a erosão de sua popularidade que chegou aos píncaros no Brasil dos anos recentes, o Supremo tenta a fórmula de praxe das elites políticas brasileiras – um acordo para varrer para debaixo do tapete a sujeira descoberta pela Polícia Federal e vazada para a imprensa.
A oposição, que em ano eleitoral torna-se mais estridente, reitera seu mantra de sempre: impeachment-já de ministros da Corte. Os mais radicais cogitam até o fechamento do STF, por alegado excesso ou abuso de poder, ou o que deputados bolsonaristas cravaram como “a ditadura da toga”.
Já há algum tempo o Supremo Tribunal tem perdido a confiança de segmentos da sociedade, pelo excesso de poderes que acumulou e pelo desrespeito a normas constitucionais, numa contrafação à aura que havia conquistado de guardião das liberdades democráticas no Brasil, no período em que as trevas ameaçavam desabar novamente sobre o horizonte político-institucional, mais precisamente no governo de Jair Bolsonaro, autor da frase de que bastariam dois cabos e um soldado para fechar o STF.
Impossibilitado de comandar a operação-fechamento, Bolsonaro apostou na nomeação de ministros de sua simpatia ou confiança para tentar equilibrar o jogo de forças na instituição.
Um deles, em aceno claramente eleitoreiro, foi premiado, segundo o ex-presidente não reeleito, pela sua condição de “terrivelmente evangélico”, requisito que não consta do currículo de candidatos à vaga de titular da Suprema Corte.
Na sua fase de lua de mel com a própria sociedade brasileira, o Supremo agiu providencialmente e com rigor para punir a tentativa frustrada de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023, arquitetada por um bolsonarismo a caminho da derrota, cujo líder maior chegou a guardar uma minuta do que seria o golpe.
Os excessos iniciais foram sendo corrigidos gradativamente, dentro da chamada “dosimetria” que o STF instituiu para implicados em casos análogos.
Foi nesse ínterim que o ministro Alexandre de Moraes, notabilizado por setores da mídia como “herói nacional”, julgou-se acima de tudo e de todos e passou a auferir ganhos extras e ilícitos, cevados em fontes inidôneas ligadas à corrupção que em paralelo foi sendo desbaratada pela Polícia Federal.
A máscara começou a cair – mas não só a de “Xandão”, como era aclamado pelos anti-bolsonaristas nas praças públicas, e, sim, de outros ministros que sentiram o faro de bons negócios na atividade judicante, aparentemente sem maiores riscos. O edifício de moralidade que sustentava o Supremo Tribunal Federal começou a ruir.
A crise está instalada porque se chegou à chamada situação-limite, cabendo a dúvida sobre se tudo vai acabar em “pizza” ou se virá alguma luz no fim do túnel para iluminar a democracia brasileira, novamente maltratada.
Uma matéria do UOL especula que o período eleitoral vai ser positivo para Alexandre de Moraes porque a ausência de parlamentares em Brasília vai reduzir a pressão pelo impeachment, mas não está descartada a hipótese de uma renúncia do ministro acusado, em arranjo negociado, para não contaminar mais ainda a Suprema Corte do país, exposta a manchetes na imprensa internacional.
A situação de Moraes é avaliada como insustentável no médio e no longo prazo. As palavras “indefensável” e “injustificável” têm sido recorrentes nas conversas entre parlamentares desde que estourou o escândalo da relação dele com Daniel Vorcaro.
A avaliação em Brasília é que, neste primeiro momento de período eleitoral o tema pode perder força e que Moraes pode conseguir articular com seus pares no STF para enterrar a investigação antes que ela seja oficialmente aberta.
O melhor cenário para Moraes seria a reeleição do presidente Lula ao Palácio do Planalto e de Davi Alcolumbre à presidência do Senado Federal. Nos bastidores, parlamentares têm dito que um caminho para Moraes pode ser o de começar a negociar um acordo para uma saída honrosa quando a poeira baixar.
O fato é que a crise pode desvendar fatos novos ainda mais graves e que, por enquanto, são desconhecidos da opinião pública. Esse “caso Vorcaro” está demonstrando ser o grande tsunami das eleições de 2026 no Brasil, com consequências imprevisíveis para autoridades, políticos e instituições.