Mensagens reveladas nesta segunda-feira (14) colocam a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), no centro da negociação para a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).
Em um diálogo privado de 5 de abril de 2025, Daniel Vorcaro comentou a postura da então vice-governadora com o publicitário Thiago Miranda. Na conversa, Miranda avaliou o comportamento dela.
“A Celina eu conheço MUITO BEM. Ela agora tá querendo aparecer porque ficou de fora da operação’. Vorcaro discordou: ‘Não ficou de fora não. Isso aí é jogo pra se preservar na política”, disse Thiago.
O diálogo aconteceu oito dias depois de o conselho de administração do BRB aprovar, em março de 2025, a compra de 58% das ações do Master.
O que diz Celina Leão
À época, Celina negou envolvimento com o negócio.
“Não tenho conhecimento sobre a operação [de compra do Banco Master], não fui consultada, fiquei sabendo pela imprensa”, declarou.
Em nota, a assessoria da governadora sustentou que as falas reveladas reforçam a posição dela contra o negócio.
“As declarações deles comprovam que a governadora Celina Leão sempre foi contra a compra do Master pelo BRB, seis meses antes da deflagração da operação policial que levou à prisão de Daniel Vorcaro”, afirmou.
A nota também citou reportagem publicada por O Globo em 5 de abril de 2025:
“A conversa entre terceiros mostra que logo após o anúncio do futuro negócio entre as duas instituições bancárias, em março de 2025, a então vice-governadora, se manifestou contra a operação bancária como registra a matéria do jornal O Globo publicada em 5 de abril de 2025. Na ocasião, a reportagem diz, inclusive, que ela não descartaria a possibilidade de rever a operação assim que assumisse o cargo”, completou.
Celina assumiu o governo do Distrito Federal em março. Em debate promovido pelo portal Metrópoles no dia 10, ela voltou a se defender.
“O escândalo do Master é o maior escândalo do Brasil. Envolve gente do Judiciário, gente do Legislativo e pessoas que estão presas, mas com certeza o meu nome não está lá, não constava na agenda de Vorcaro”, disse.
No mesmo debate, ela negou aparecer em outras tratativas.
“E não constava o meu nome também em diálogos tentando negociar, calar, com algumas assessorias de imprensa. Também não constava. Alguns candidatos aqui, tinha diálogos sobre eles. Mas o meu nome não constava”
O rombo no BRB
A tentativa de compra do Master foi precedida pela aquisição de carteiras de crédito falsas pelo BRB. Segundo as apurações, o banco teria transferido R$ 17 bilhões ao Master, dos quais R$ 12,2 bilhões estariam ligados a títulos sem valor.
O BRB não divulga balanços completos desde agosto do ano passado, e o governo do DF busca um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões, com garantia da União, para reforçar o banco.