O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), aparece em diálogos obtidos pela Polícia Federal solicitando ao então controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, a liberação de um empréstimo para uma empresa ligada à sua cunhada. A informação foi publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo.
O dinheiro teria sido usado para comprar um terreno em João Pessoa, onde será construído um novo bairro.
Resposta de Motta
Procurado pelo jornal, Motta se recusou por cinco vezes a responder se atuou para a liberação do empréstimo, mas disse que a operação cumpriu os parâmetros de mercado e “está dentro da legalidade”.
Motta disse ainda que a empresa está honrando o pagamento das prestações. A cunhada de Motta, Bianca Medeiros, foi procurada pela reportagem, mas não se manifestou.
Documentos da PF, cujo sigilo foi retirado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), indicam uma versão diferente. Segundo o relatório da investigação da Operação Compliance Zero, Vorcaro teria arcado com cinco diárias no hotel de luxo Four Seasons Hotel Ritz Lisbon, enquanto uma fatura analisada pelos investigadores registra despesas correspondentes a sete dias.
A PF também identificou mensagens em que Vorcaro solicita a reserva de dois quartos para “Ciro e Hugo” e demonstra preocupação com a privacidade do encontro, pedindo medidas extras de segurança ao seu auxiliar.
Para os investigadores, o cruzamento entre as conversas e os documentos financeiros reforça que os pagamentos estavam relacionados à hospedagem de Hugo Motta e Ciro Nogueira em Lisboa. As diárias somaram 3.155,71 euros, o equivalente a cerca de R$ 18,2 mil na cotação da época.
Questionado sobre o caso, Hugo Motta afirmou defender uma investigação “isenta e imparcial”. Já Ciro Nogueira ainda não havia se manifestado sobre as conclusões apontadas no relatório da Polícia Federal.
A Operação Compliance Zero investiga suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. Daniel Vorcaro está preso preventivamente em Brasília.