jan 10, 2026 Destaque, Morte 35
Ele, que também era diretor, produtor e escritor, enfrentava complicações da doença de Parkinson e morreu neste sábado (10) em um hospital da Zona Sul do Rio

Morreu neste sábado (10) o autor, diretor, produtor e escritor Manoel Carlos, aos 92 anos, no Rio de Janeiro. Maneco, como também era conhecido, estava internado no Hospital Copa Star, na Zona Sul do Rio de Janeiro, e a informação de sua morte foi confirmada pelo perfil Boa Palavra. A nota sobre a morte do autor confirmou a morte de Maneco por volta de 20h:
“É com profundo pesar que comunicamos o falecimento de Manoel Carlos Gonçalves de Almeida, carinhosamente conhecido como Maneco, ocorrido hoje, aos 92 anos. O velório será fechado e restrito à família e amigos íntimos. A família agradece as manifestações de carinho e solicita respeito e privacidade neste momento delicado”.

Comunicado sobre a morte de Manoel Carlos — Foto: Reprodução/Redes sociais

Manoel Carlos — Foto: Memória Globo
Manoel Carlos era um especialista de relações humanas, na alma feminina e que soube traduzir como poucos a relação de mãe e filha, eternizadas, em especial, em um personagem recorrente: as Helenas do Maneco. O autor também popularizou um bairro como cenário de suas novelas: o Leblon, onde inseriu tipos reais, com sentimentos muito humanos e que sempre se consagraram como sucesso.
“Situo as minhas novelas no Rio de Janeiro. Faço coisas muito fortes, sob um céu muito azul. As tragédias e os dramas acontecem, mas o dia está lindo. A praia e o espírito carioca dão uma coloração rosa ao contexto cinzento, mas o público acaba absorvendo as tramas de maneira mais leve”, disse ao Memória Globo.

Vera Fischer foi uma das Helenas de Manoel Carlos — Foto: Reprodução/Instagram
Além das novelas, Maneco também produziu minisséries inesquecíveis em 60 anos de carreira como “Malu Mulher” (1980), “Presença de Anita” (2001), ‘Maysa – Quando Fala o Coração’ (2009).
Já entre as novelas alguns dos sucessos foram “História de Amor”, “Por Amor”, “Laços de Família” e “Mulheres Apaixonadas”
Manoel Carlos Gonçalves de Almeida era filho do comerciante José Maria Gonçalves de Almeida e da professora Olga de Azevedo Gonçalves de Almeida.
Nascido em 14 de março de 1933, Maneco se considerava paulista só na certidão de nascimento, e fazia questão de declarar seu amor pelo Rio de Janeiro.
O caminho até se tornar esse autor conceituado entre os melhores da televisão brasileira, foi tortuoso e atípico: seu primeiro emprego, aos 14 anos, foi como auxiliar de escritório. Mas, desde essa época, integrava os Adoradores de Minerva, um grupo de jovens que se reunia diariamente na Biblioteca Municipal de São Paulo para ler e discutir literatura e teatro. Entre os integrantes do grupo estavam Fernanda Montenegro, Fernando Torres, Fabio Sabag, Flávio Rangel e Antunes Filho.
Aos 17 anos, em 1951, recebeu o primeiro papel como ator, na TV Tupi paulista, onde atuou no ‘Grande Teatro Tupi’, sob a direção de Antunes Filho. No ano seguinte, foi premiado como ator revelação e estreou como produtor e diretor, além de começar a escrever seus programas. Entre 1953 e 1959, participou da fase inaugural da TV Record; passou pela TV Itacolomi, de Belo Horizonte; TV Rio e TV Tupi, do Rio de Janeiro, onde, além de ator e diretor, adaptou mais de 100 teleteatros; e também passou pelo Jornal do Commercio, em Recife.

Manoel Carlos chegou a Globo em 1972 — Foto: Reprodução/TV Globo
Na década de 1960, Manoel Carlos participou das últimas produções da TV Excelsior. Na TV Rio, dividiu a redação do programa ‘Chico Anysio Show’ com Ziraldo e Mário Tupinambá. Foi, ainda, diretor do programa, assim como de um segundo humorístico, ‘O Homem e o Riso’, também com Chico Anysio, exibido pela TV Rio e pela TV Record paulista. Ele foi também um dos criadores da ‘Equipe A’, em 1964, que criaram, escreveram e produziram programas para a Record, como ‘Hebe Camargo’, ‘O Fino da Bossa’, ‘Bossaudade’, ‘Esta Noite se Improvisa’, ‘Alianças para o Sucesso’, ‘Para Ver a Banda Passar’ e ‘Família Trapo’, escrito também por Jô Soares e Carlos Alberto de Nóbrega.
Estreia na Globo
Manoel Carlos estreou na Globo em 1972, como diretor-geral do ‘Fantástico’. Permaneceu na função por três anos, e, nessa época, participou também do ‘Globo Gente’, um programa de entrevistas comandado por Jô Soares. Em 1978, com a experiência de mais de 150 adaptações para a televisão, transformou em novela o romance ‘Maria Dusá’, de Lindolfo Rocha, sob o título de ‘Maria, Maria’. A primeira telenovela de Manoel Carlos na Globo teve direção de Herval Rossano, com Nívea Maria no papel principal, e foi ao ar no horário das 18h.
Manoel Carlos teve três casamentos, e deixa cinco filhos, entre eles a atriz Júlia Almeida, que desde pequena acompanhava o autor e o ajudava a escrever cenas.
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