Relatório técnico aponta que show de R$ 1,3 milhão equivale a 116% dos gastos incrementais em educação no município em 2026

O cachê de R$ 1,3 milhão contratado pela Prefeitura de Coxixola para o show de Wesley Safadão virou alvo de análise técnica no Tribunal de Contas da Paraíba e expôs uma comparação explosiva: o valor pago a um único artista supera todo o gasto efetivo incremental com educação no município em 2026.
De acordo com o que foi apurado até o momento pela redação do BC1, o relatório inicial do TCE-PB, no processo nº 02842/26, aponta que Coxixola contratou a empresa WS Shows Ltda. para apresentação nas festividades de emancipação política do município pelo valor de R$ 1.300.000,00. O evento completo foi estimado em R$ 2,5 milhões.
A comparação feita pela auditoria chama atenção. Segundo dados do Sagres/TCE-PB citados no relatório, Coxixola liquidou em 2026 R$ 1.953.480,01 em educação. Mas, quando excluídos gastos com pessoal e encargos sociais, considerando apenas despesas que geram serviços, obras ou investimentos incrementais, o valor da educação cai para R$ 982.877,78.
Na prática, o cachê de Safadão representa 116% de todo o gasto incremental com educação no município. Ou seja: apenas o show custou mais do que tudo aquilo que Coxixola aplicou, de forma efetiva, em despesas educacionais fora da folha.
A auditoria também comparou o valor com a saúde. O gasto incremental em saúde foi de R$ 1.120.509,44. O cachê de R$ 1,3 milhão também supera esse montante. Somados saúde e educação, o show representa cerca de 61,8% de todo o investimento efetivo nas duas áreas no exercício de 2026.

O caso ganha ainda mais peso porque Coxixola tem apenas 1.824 habitantes, segundo o Censo 2022, e estava em situação de emergência por estiagem reconhecida pelo Governo Federal. O relatório também registra que 24,39% da população recebe o Novo Bolsa Família, o que significa aproximadamente 1 em cada 4 moradores dependente de transferência direta de renda.
O gestor municipal argumentou que os recursos usados para o show vieram de convênio federal com o Ministério do Turismo, por meio do Transferegov nº 993629/2026, e que a competência principal de fiscalização seria do TCU. Ainda assim, a auditoria observou que não ficou suficientemente claro se todos os demais custos do evento, como estrutura, som, iluminação, publicidade e outras atrações, também foram pagos com verba federal ou se houve uso de recursos próprios do município.
O relatório não aponta, em princípio, sobrepreço na contratação de Wesley Safadão quando comparada a outros shows do artista na Paraíba. O problema central, segundo a análise técnica, está na proporcionalidade do gasto diante da realidade social, econômica e fiscal do município.
Para a auditoria, o caso levanta questionamentos relevantes sobre os princípios da moralidade e da eficiência administrativa. Em linguagem direta: Coxixola gastou como cidade grande para fazer festa, enquanto seus números sociais mostram uma cidade pequena, vulnerável e dependente de recursos públicos.
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